A imposição de tarifas mais altas nos Estados Unidos para a importação de produtos vai gerar impacto nas negociações do setor automotivo, principalmente na relação com os vizinhos México e Canadá. Brasil foi incluído entre os países com a menor taxa (10%) e deverá sofrer com efeitos colaterais da medida.
A iniciativa do governo de Donald Trump foca no que ele chama de reciprocidade de tratamento. O México em especial é considerado por Trump uma pedra no sapato para o setor automotivo dos EUA. Já no primeiro governo dele havia uma articulação com as montadoras do país (Chevrolet e Ford, principalmente) para que elas voltassem a investir no país. É que nas últimas três décadas o custo de se produzir nos Estados Unidos virou uma ‘assombração’ para o lucro destas empresas e elas decidiram montar fábricas no México. Produzem no México e vendem nos Estados Unidos.
“Empregos nas indústrias irão voltar ao nosso país. Vocês verão isso acontecer rapidamente. Vamos melhorar a nossa base industrial, abrir mais mercados no exterior e quebrar barreiras de comércio produzindo mais, e abaixando preços dos consumidores. Será a era de ouro para os americanos”, declarou Trump.
As medidas de Trump são vistas com desconfiança. Primeiro porque a cadeia automotiva não se resume ao produto finalizado. Muitos carros produzidos nos Estados Unidos têm peças feitas no México e no Canadá. Assim, o tarifaço pode acabar virando um tiro no pé, pois a esperança é que carros passem a ter preço mais acessível nos Estados Unidos. Porém, com a produção totalmente local esse custo tende a aumentar.
Brasil
Para o Brasil esse tarifaço no setor automotivo não possui a mesma relevância que tem para os mexicanos. O que o Brasil leva para os Estados Unidos são peças, óleos e combustíveis. São itens que também serão atingidos pelo tarifaço, mas com menor impacto do que foi imposto para os chineses e para os mexicanos, por exemplo. Assim o setor ainda aguarda para avaliar o impacto, mas no saldo final o Brasil pode até ser beneficiado com a imposição de taxas maiores aos seus concorrentes.
O Brasil poderá sofrer mais com os efeitos colaterais da medida. Com a taxa mais alta para os chineses e para os mexicanos, esses países terão duas opções: negociar com os Estados Unidos uma redução bilateral de taxas para cada classe de produtos ou passar a levar seus produtos para outros países. Aqui é um problema para o Brasil.
Já há um movimento crescente de produtos chineses no mercado brasileiro e isso deve se intensificar e gerar pressão das montadoras sobre o governo. Para os mexicanos o Brasil também é um caminho muito viável. O México possui um acordo comercial para produtos automobilísticos com o Brasil. Até pouco tempo atrás esse acordo previa cotas para ambos os países, mas agora o volume é livre. O Brasil ainda não anunciou mudanças em relação a este acordo.