Honda e Nissan iniciaram no final de 2024 uma análise mútua para uma possível fusão das marcas e a criação de um novo grupo automotivo. De um lado a gigante Honda quer se manter relevante e de outro a Nissan vê nesse negócio a oportunidade de se manter viva. Há um entrave em tudo isso: a Nissan hoje tem a Renault como acionista e a Honda não quer o grupo francês no negócio.
Para que o negócio da fusão entre nos eixos a Honda quer que a Nissan volte a apresentar lucros relevantes em seu balanço. A Nissan é uma empresa tradicional japonesa que já esteve à beira da falência. Quem salvou a empresa foi o brasileiro Carlos Ghosn, que liderou a aliança com a Renault. Posteriormente Ghosn foi acusado de uma fraude no grupo japonês. Ele diz ser vítima.
A Honda colocou como meta para a Nissan apresentar US$ 2,6 bilhões em lucro até meados de 2026 como lição de casa. Não é impossível porque em 2023 o lucro operacional chegou a US$ 2,3 bilhões. Mas em 2024 esse lucro caiu para US$ 131 milhões. A Honda atualmente é muito maior e mais estável que a Nissan no mercado, por isso aguarda que a atual concorrente engrene um plano de crescimento para que elas possam se juntar. Obviamente a Honda não quer agregar a Nissan como um “peso”, como ela já foi para a Renault no passado.
Também não é desejo da Honda que a Renault venha junto com a fusão, por isso já manifestou para a Nissan que gostaria que a empresa readquirisse os 35% de ações que hoje estão com os franceses. O total destas ações gira em torno de R$ 3,8 bilhões, dinheiro que hoje a Nissan não tem disponível.
Ainda está pendente a participação da Mitsubishi neste processo de fusão. A marca atualmente também é parte da aliança com a Renault, mas precisa decidir com seus acionistas se vai tomar esse novo rumo.
Honda e Nissan devem dar novos passos para a fusão até meados deste ano, data colocada como limite para que a Nissan tome suas decisões e apresente seus resultados.